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15 de abril de 2013

Capitulo 1: Promeças


Jonny era um jovem que vivia em um condomínio pacato em uma cidade nem tão pacata.

Um dia ele estava dormindo e foi acordado por gritos vindos da casa ao lado, então ele virou a cabeça, olhou para o relógio e disse para si mesmo:

- Merda... Essas pessoas não tem respeito, se eu chegar lá e não tiver ninguém morto... Vai ter.

Então ele se levanta, calçando os chinelos de pelo e começa a andar em direção a porta quando vê um vulto na cozinha.

- Mãe, é você?


- Mãe? Se for você é melhor dizer!

Então Jonny pega sua adaga que estava logo em cima da porta do seu quarto, tira da capa e vai em direção à cozinha, ele chega à cozinha e vê algo se alimentando de alguma coisa, então ele levanta a mão para dar um golpe certeiro no pescoço quando a luz da cozinha se acende e ele percebe que é sua mãe ajoelhada com sua boca no intestino de bob, e cachorro da família.

Jonny congela, chocado com a cena, ele não acredita no que esta acontecendo:

- Mãe o que você está fazendo?!

A mãe de Jonny se vira e pula em Jonny que solta à adaga e cai no chão coberto pelo sangue de bob, ele tenta tirar ela de cima dele, mas a mulher não quer sair de jeito nenhum, ele não vê outra opção além de começar a gritar.

Leticia, uma garota que mora no mesmo condomínio que Jonny, eles vivem lá desde os 7  anos, e são amigos desde os 8, hoje em dia, ela com 17 e Jonny a 1 mês de completar 17, eles são praticamente melhores amigos, eles participavam de um grupo no colégio, mas nem um deles ligava muito para isso, eles estavam quase sempre juntos, apesar de vários boatos, eles nunca realmente pensaram em namorar, eles eram apenas bons amigos, mas naquela noite tudo aquilo iria mudar.

Leticia estava se preparando para fazer sua caminhada noturna, quando ia passando pela casa de Jonny quando ouviu os gritos, então correu para lá e encontrou a cena e quase vomitou.

- QUE PORRA TA ACONTECENDO AQUI!!!

- Eu não faço ideia, mas acho que minha mãe quer fazer comigo o que ela fez com o bob.

Leticia corre e puxa a mãe de Jonny para trás, e então o um vizinho entra na casa com uma .38 e atira no pescoço da mãe de Jonny, que cai em cima de Leticia, manchando de sangue a blusa rosa com a palavra "Love" escrita com lantejoulas que ela usava, então Jonny grita:

- SEU FILHO DA PUTA!!! OQUE VOCÊ FEZ!!!

- Calma garoto, eu salvei a vida de vocês.

- VOCÊ MATOU A MINHA MÃE PORRA!!!

- Ela não era mais a sua mãe garoto.

- CALA A BOCA, VOCÊ NÂO TINHA ESSE DIREITO!!!

- Garoto, eu estou perdendo a minha paciência com vo...

Em um segundo de distração, a mãe de Jonny se levanta e ataca o vizinho, arrancando tendões, carne, músculos e nervos, fazendo espirrar sangue pela cozinha, o homem gritava e chorava, enquanto a mulher se alimentava dele.

Jonny e Leticia não sabiam o que fazer, então eles se levantam, Jonny pegou a adaga e Leticia pegou a .38 que o vizinho avia deixado cair quando a mãe de jonny pulou nele, e os dois correram para a casa de Leticia, que morava com o pai, mas ele trabalhava a noite toda e voltava para casa umas 7:30, mas eram 7:00 e a casa estava vazia, eles entram e trancam a porta e começam a se olhar, então Jonny fala.

- O que aconteceu?

- Eu não faço à mínima ideia, mas a sua mãe não era pra levantar.

- Eu sei - os olhos de Jonny começam a ficar umedecido e ele cobre o rosto - me dê um minuto sozinho

- Tudo bem, eu vou ligar pro meu pai.

Leticia pega o celular e sai da sala enquanto Jonny senta em um canto com um olhar desolado e traumatizado, então Leticia volta e diz:

- Merda, não tem sinal, o meu pai está no trabalho agora, tomara que isso não aconteça lá.

Jonny apenas fica olhando para o nada, pensando no que aconteceu, então Leticia grita, assustando Jonny.

- O que ouve caralho!

Leticia não consegue falar uma palavra, ela apenas fica apontando para a janela, então Jonny levanta e olha para a janela.

- Puta que pariu!!!

A cena que se vê pela janela são vários residentes do pacato condomínio se enfrentando em sangrentos combates, mas isso não era o mais estranho, alguns dos residentes levavam pancadas, facadas e até tiros e não paravam até cravar seus dentes nos residentes, mas eles percebem uma coisa incomum, todos os residentes que levam um tiro, uma facada ou até mesmo uma pancada forte na cabeça pareciam parar de se mexer, então os dois se entreolharam e Leticia diz.

- Já sabemos como matá-los.

- Se tivermos sorte, não precisaremos matá-los, quanta comida tem aqui?

- Espera, eu vou ver.

Leticia vai para a cozinha e Jonny continua olhando pela janela por uns 5 minutos e então ele vai até a cozinha ajudar Leticia, quando ele chega Leticia está tirando uns atuns enlatados do armário, então ele começa a ajudar e quando toda a comida está na mesa Jonny volta para a sala e senta no sofá em frente a TV.

- Leticia! A TV não está funcionando!

- Acho que a luz acabou de novo!

Então Jonny olha para a janela e vê que quem já não estava se alimentando dos restos dos residentes já se levantou e se juntou aos comilões

- Ai meu deus, se eles te matarem você vira um deles.

Leticia estava entrando na sala quando Jonny fala isso.

- O que?

Jonny dá um pulo do sofá e puxa sua adaga.

- Caralho menina, que susto.

- Como você sabe sobre agente voltar.

- O Sr. Morison!

- O que tem ele?

- Ele já tinha caído, sido devorado por “eles”.

- E daí?

- Olhe pela janela

Leticia olha e congela com a cena, o Sr. Morison está com seu estomago e intestino a amostra, sem carne na volta de um de seus olhos e com uma parte de seu braço tão comida que seu osso estava à amostra.

Leticia vomita na sala e começa a chorar, então Jonny levanta e ajuda ela a sentar no sofá, ela está com o mesmo olhar de Jonny depois de ver sua mãe devorando aquele cara.

- Você está bem?

- Eu...eu não sei, ele era...era...eu não gostava dele...mas...ver ele daquele jeito, me faz sentir culpa por não gostar dele.

- Calma, eu também estou mau por ele, mas o importante agora somos nós, nós temos que nos concentrar, o que o seu pai iria fazer se ele chegasse a casa e te encontrasse daquele jeito?

- Eu acho que você está certo, a propósito, ele já devia ter chegado.

- Calma, eu acho que ele deve estar enfrentando o mesmo problema que a gente.

- Isso não está ajudando!

- Só estou dizendo que o transito não é bom no meio disso tudo.

- Você deve estar certo.

- A propósito, como estamos de comida?

- Temos comida pra 2 semanas mais ou menos, mas eu tenho certeza que daqui a 2 semanas vai estar tudo resolvido.

- Como pode ter tanta certeza.

- Eu não sei...ta mais para uma esperança.

- E se não tiver tudo resolvido.

- Meu pai sempre deixa 200 reais de emergência, se ele não voltar podemos ir à mercearia, deixar o dinheiro e depois que isso acabar agente acerta tudo com o dono...

- Você é boa demais, seria muito arriscado sair do condomínio, temos que pegar comida na vizinhança, limpar o condomínio, procurar por sobreviventes, fazer daqui um centro de sobrevivência.

- Mas isso é errado, roubar a casa dos outros.

- A maioria deles já está morto.

- Por isso temos que respeitar a casa deles.

- Como eles vão saber? Estão mortos!

- Quando isso acabar você quer mesmo ser preso por roubo.

- É questão de sobrevivência Leticia, temos que sobreviver!

- Tudo bem, faremos do seu jeito, mas eu não gosto disso.

- Acredite, eu também não.

O silêncio toma conta do condomínio até que ele é cortado por uma voz familiar no interfone.

- Leticia, filha, por favor, abre a porta pro papai, eu perdi as chaves e tem pessoas estranhas vindo pra cá.

Jonny olha para a expressão na cara de Leticia e diz:

- Você não vai lá, é muito perigoso!

- Mas o meu pa...

- Para, eu vou.

- Não, você na...

- Não tente me impedir, olha, eu vou levar a adaga, você fica com o revolver e atira em qualquer coisa que tentar entrar entendeu?

- Sim, mas antes de ir, me promete uma coisa?

- O que?

Os olhos de Leticia se enchem de lagrimas e ela diz com uma voz meio fraca e soluçante:

- Não morra!

- Vou tentar.

Jonny pisca e pega sua adaga e logo após sai da casa, e há 3 metros da casa é atacado por eles, mas consegue matar os mais próximos, desaparecendo entre os mortos enquanto Leticia observava tudo pela janela da sala.

O silencio, mais uma vez, cai sobre a casa por alguns minutos, mas, mais uma vez a voz no interfone quebra o silencio:

- Leticia! Não venha! Eles são maníacos, eles têm armas, e estão em 3, por favor filha, não...

O interfone fica em silencio logo após um barulho de uma pistola 9mm fazer Leticia dar um salto.

- Não! Pai! Não! Por favor, não!

Leticia se ajoelha e começa a chorar, então, minutos depois ela seca os olhos com a manga de seu casaco sujo de sangue e pega a .38 e abre o tambor, ela olha e vê que a arma tem ainda 4 balas prontas para atirar e 1 já usada, a que está no pescoço da mãe do Jonny, então ela tira a bala coloca o tambor para dentro do revolver o engatilha, então quando ela se levanta ela vê Jonny sendo escoltado por 3 homens, um com um colete jeans e uma camisa preta por baixo, que segura um facão, outro com uma bandana, que segura um martelo e outro com óculos escuros espelhados, estilo motoqueiro, segurando a tal 9mm apontada para as costas de Jonny, Leticia logo se abaixa e se esconde atrás do sofá, apenas esperando eles entrarem, então ela escuta uma voz baixa através da porta.

- É melhor não tentar nenhuma gracinha ouviu moleque!

- Ta, pode deixar, agora abaixa essa merda dessa arma que você está me deixando nervoso!

- Eu vou abaixar a porra da arma quando eu quiser abaixar a porra da arma e se você falar mais uma vez para eu abaixar a porra da arma, eu vou baixar a porra da arma na sua merda de cabeça até o seu cérebro sair pela bosta da sua orelha!!!

- Nossa desculpa, não vou mais pedir pra você abaixar a porra da arma.

- Acho bom mes...

- Agora aponta essa merda de arma pra outro lado!!!

O brutamonte de óculos escuros avança em Jonny enquanto os outros dois tentam afastar os dois.

- Calma cara, agente precisa dele vivo, lembra a arma!

- Claro... Claro, moleque, você tem muita sorte de a gente precisar de você! Agora abra a merda da porta.

- Ta bom.

Jonny abre a porta e na hora vê Leticia mirando na porta, então ele pula para o lado, então Leticia atira, acertando o cara dos óculos bem no aro do meio dos óculos, o fazendo cair, então Leticia engatilha a arma de novo enquanto Jonny levanta e pega sua adaga na parte de trás do cinto do homem de bandana e colocando no pescoço dele, enquanto isso Leticia Já mirava no cara do colete jeans, que olhava para a arma de seu companheiro de gangue.

- Nem pense nisso- dizia Leticia, para o homem de colete- se tentar fazer isso vai levar um tiro no olho, então o homem pula para a arma do companheiro, Leticia atira, mas erra então Jonny puxa a adaga, cortando a garganta do homem da bandana, então ele corre para o homem do colete, mas o homem facilmente tira a adaga de Jonny e o envolve o pescoço dele com um dos braços enquanto mira para Leticia.

- Quer se despedir da sua namorada garoto?

- Quero!

- Vai em frente.

- Leticia, sabe aquela promessa que eu te fiz?

- O que tem ela?

- Eu não vou poder cumprir.

Então Jonny pega a mão do cara do colete e mira a arma para o próprio estomago, então com o susto o homem puxa o gatilho, a bala atravessa Jonny e atinge o homem, que como era um pouco mais alto, perfurou seu estomago, o matando em poucos segundos, então Leticia corre e se ajoelha perto do corpo de Jonny que ainda estava vivo.

- Não, você também não dizia ela com uma voz rouca e soluçante - Você não pode me deixar sozinha!

Jonny olha para Leticia e sorri então ele a beija e fala.

- Leticia, você tem que me prometer uma coisa - diz ele com uma voz fraca e sofrida.

- O que? Pode falar, eu prometo qualquer coisa!

- Tem que me prometer... Que vai sobreviver!

Uma lagrima cai na testa de Jonny e então Leticia começa a chorar e fala soluçante mente:

- Eu prometo!

Então Leticia pega a 9mm do cara do colete, encosta o cano da arma na testa de Jonny e puxa o gatilho, levanta, enxuga as lagrimas e fecha a porta da casa.